Para prezar pela sobrevivencia, saúde e longevidade de uma empresa, a contratação de serviços/funções chave são essenciais. Uma função chave e de protagonismo inquestionável no back office é a do controller. Essa pessoa nada mais é do que a responsável por fazer acontecer, mas é importante ressaltar que o controller não é o responsável pela gestão das informações, mas sim pela difícil tarefa de manter os gestores bem informados além de influeciá-los para assegurar a eficiência empresarial. Além disso essa pessoa deverá atuar nos mais diversos níveis do planejamento (seja operacional, seja gerencial), na criação do plano e dos sistemas de controle, acompanhará não só os planos, mas também a avaliação do desempenho empresarial e irá propor a implementação de frameworks (ferramentas) a fim de aprimorar os processos.
Existem várias ferramentas no mercado, mas as mais escolhidas são a CoCo e a COBIT. A ferramenta CoCo (Criteria Of Control) criada pelo Instituto Canadense de Contadores busca avaliar a eficiência dos controles internos por meio de melhoria contínua tendo como base o elemento humano e temas ligados aos valores éticos e culturais. A CoCo possui uma abordagem simples e é fruto de uma revisão/aperfeiçoamento de outra ferramenta, também criada pelo Instituto Canadense de Contadores, a COSO (Committee of Sponsoring Organization of the Treadway Commission).
O intuito da CoCo, de acordo com Moraes (2003, p. 33), é envolver os recursos, sistemas, processos, planejamento, aprendizado contínuo, indicadores de performance e cultura organizacional, possibilitando as pessoas a atingirem os objetivos da empresa. Deixo abaixo um esquema visual para explicar o que Cooper e Gendron (2001) discorreram sobre a CoCo:

Agora que já entendemos melhor como a ferramenta CoCo funciona, precisamos entender como se dá um dos frameworks de boas práticas em governança de tecnologia de informação mais utilizados do mundo, o framework Cobit (Controle de Objetivos para a Informação e Tecnologia Relacionadas).
Comentário: o Cobit é muito parecido com o SCRUM, ITL, ISO entre outros. Todos esses itens citados são metodologias mais ferramentas de elaboração e melhoria de processos. Há cursos, certificações, congressos e sempre recebem atualizações. Tal comentário foi inserido para que fique claro que o Cobit não é apenas um software que se instala no computador, mas sim uma metodologia com apoios/ferramentas para aplicar a melhoria contínua.
O Cobit, que atualmente se encontra na 5ª edição, é um conjunto de práticas que administra os recursos e ferramentas da área. Esse controle é usado como ferramenta para os gestores e protege a integridade do sistema de informação, além de prover assistencia para alcançar os objetivos da empresa, com o plus de possuir validade mundial.
É importante entender que na perspectiva do Cobit os investimentos são orientados pelas necessidades da empresa, logo o Cobit visa reunir as necessidades dos stakeholders, atender a todas as áreas da empresa, aplicar um padrão único e integrado, insetir uma abordagem holística, e separar a governança da gestão. Assim como a ferramenta CoCo o framework Cobit também possui pilares, que no caso são: alinhamento estratégico, entrega de valor, gestão de recursos, gestão de riscos e mensuração de desempenho.
Após a definição do planejamento empresarial e o estabelecimento de controles internos estritamente adequados aos valores e objetivos da empresa, a Controladoria precisa medir e acompanhar o desempenho da entidade, bem como aplicar modelos de melhoria de performance. Para isto se faz necessário aplicar ferramentas para avaliar o desempenho da empresa, vale a pena ressaltar que existem diversos modelos de avaliação, como os citados abaixo, mas iremos discorrer apenas sobre um:
- BSC – Modelo do Balanced Scorecard;
- EVA® – Economic Value Added;
- Modelo de Gerenciamento Total da Melhoria Contínua (Total Improvement Management –TIM) de Harrington;
- Modelo Quantum de Medição de Desempenho de Hronec;
- Modelo dos Três Níveis de Desempenho de Rummler e Branche;
- Modelo de Melhoria da Performance de Sink e Tuttle;
- TQM – Gestão da Qualidade Total;
- Modelo de benchmarking.
O modelo que vamos nos desbruçar aqui, neste trabalho, é o Balanced Scorecard (BSC) – em português “Indicadores Balanceados de Desempenho” – que tem o papel de analisar a estratégia em várias perspectivas além da financeira, e busca equilibrar os resultados em diferentes medidas de tempo (curto, médio e longo prazo) apoiando na quantificação dos resultados em toda execução da estratégia.
Os autores Kaplan e Norton pensaram e expressaram quatro perspectivas do BSC, sendo elas:
1. Financeira
Nesta visão buscamos oferecer resultados satisfatórios para os interessados através das metas financeiras. Para mensurá-las contamos com alguns indicadores tais como: Retorno Sobre Investimento (ROI), Lifetime Value (LTV), Custo de Aquisição de Clientes (CAC), Ticket médio, Churn Rate entre outros.
2. Clientes
Aqui trataremos do relacionamento com o cliente e com o mercado. Basicamente Atração e retenção de clientes. Há também métricas para tal, como os indicadores de Retenção de Clientes, Aquisição de Clientes e Lucratividade do Cliente.
3. Processos Internos
Nessa perscpectiva iremos identificar, analisar, aprimorar e acompanhar todos os processos que impactam no resultado do negócio sobre um pilar: qualidade a nível de excelência. Para mensurar e acompanhar esses processos utilizamos os seguintes indicadores: Produtividade, Compliance, Inovação etc.
4. Aprendizado e Crescimento
Esse tema visa trabalhar a experiência adquirida para o alcance das metas e objetivos traçados. Algumas métricas que acompanham o desenvolvimento da capacidade da mão de obra são: Clima Organizacional, Capacitações/treinamentos etc.
O Mapa Estratégico é a principal ferramenta do Balanced Scorecard e pode ser combiando com outras ferramentas para apoio no planejamento estratégico e operacional, como por exemplo, Análise SWOT, 5W2H, Canvas (modelo de negócio) entre outras. A seguir vamos visualizar o Mapa Estratégico do BSC sobre uma empresa fictícia:

É fácil concluir que as ferramentas apresentadas nessa postagem são de altíssima importância e ajudam a nortear os gestores e demais colaboradores para o objetivo da empresa. Vale a pena citar que toda ferramenta tem os seus prós e contras e a escolha ideal da ferramenta se dá após refletir sobre a missão e valores da instituição.
Comentário: essa postagem foi um trabalho de reflexão sobre o tema “Controladoria Estratégica e suas ferramentas” no curso de pós-graduação da Universidade Anhembi Morumbi realizado por mim. É apenas um conteudo introdutório e todos os “textos base” estão listados abaixo em Referências Bibliográficas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
TENÓRIO, Juliane Gama. Controle interno: um estudo sobre sua participação na tomada de decisão de investimento no mercado de capitais brasileiro. Dissertação (Mestrado em Contabilidade e Controladoria) – Universidade de Brasília, Universidade Federal da Paraíba, Universidade Federal de Pernambuco e Universidade do Rio Grande do Norte, Recife, 2007.
MORAES, José Cássio Fróes de. Análise da eficácia da disseminação de conhecimentos sobre controles internos após sua implementação no banco do Brasil. Dissertação (Mestradoem Contabilidade e Controladoria) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis,2003.
DALGLEISH, Fraser; COOPER, Barry J. Risk management: developing a framework for a water authority. Management of Environmental Quality: An International Journal. v 16, n 3, p. 235-249, 2005.
IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Código das melhores práticas de Governança Corporativa. 3 ed. São Paulo, 2004.
SCHMIDT, P.; SANTOS, J. L. Fundamentos de controladoria. São Paulo: Atlas, 2006.
4 Modelos Mais Populares De Frameworks Na Gestão de TI. DUK. São Paulo. Acesso em 16/10/2021. Disponível em < https://www.duk.com.br/sem-categoria/4-modelos-mais-populares-de-frameworks-na-gestao-de-ti/ >
Os 05 Focos da Governança de TI, Segundo o Cobit 4.1. PROFISSIONAISTI. São Paulo. Acesso em 16/10/2021. Disponível em < https://www.profissionaisti.com.br/os-5-focos-da-governanca-de-ti-segundo-o-cobit-4-1/ >
O Que É Cobit e Como Aplicar na Governança de TI. DEVMEDIA. São Paulo. Acesso em 16/10/2021. Disponível em < https://www.devmedia.com.br/governanca-de-ti-e-cobit/27577 >
Balanced Scorecard: O Que É, Como Funciona e Vantagens. RESULTADOSDIGITAIS. São Paulo. Acesso em 16/10/2021. Disponível em < https://resultadosdigitais.com.br/blog/balanced-scorecard/ >
O Que É Balanced Scorecard e Suas Principais Vantagens. SETTING. São Paulo. Acesso em 17/10/2021. Disponível em < https://setting.com.br/blog/gestao-empresarial/o-que-e-bsc-balanced-scorecard/ >
Balanced Scorecard. FWSYMNETCS. São Paulo. Acesso em 17/10/2021. Disponível em < https://fwsymnetics.com.br/blog/balanced-scorecard-exemplo/ >
KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. A estratégia em ação : balanced scorecard. Houston: GulfProfessional Publishing, 1997.
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