Vou apresentar um caso clássico que um gestor passará pelo menos uma vez na vida. Para enriquecer essa postagem e mostrar mais de uma saída para esse problema, fiquem à vontade para comentar com a visão-solução de vocês. No próximo final de semana postarei a minha visão-solução MAIS a fundamentação teórica.
Descrição do Caso
João da Silva se preparava para uma reunião muito importante com a Catarina Vecchia, a diretora-geral da empresa Eletric Solution, uma empresa de energia elétrica. Esse dia seria um dos mais importantes da carreira de João, pois ele nunca havia tido uma oportunidade de conversar sobre sua atuação no trabalho com a diretora.
João é um verdadeiro “Rei da Savana” dentro da empresa, ou seja, ele era visto como um leão devorador e dominador, soberano a todas as outras espécies. É o perfil de colaborador que deseja se sobrepor a todos os colegas. Ele se preparou muito bem para erguer a sua carreira, interpretando que a vida profissional é uma constante batalha na qual o mais astuto se sobrepõe aos demais e consequentemente alcança voos mais altos. Além de ser formado em engenharia, cursou também faculdade de administração, entre outros adjetivos pode se dizer que João é um jovem muito perspicaz e rigoroso quanto a sua disciplina.
Como profissional sua habilidade mais invejada pelo time era o domínio justo e perfeito das mais sofisticadas tecnologias de eletrônica digital e ciência de dados o que o tornou, em pouco tempo, peça-chave praticamente insubstituível para departamento e para a empresa. Seus conhecimentos técnicos eram efetivamente indispensáveis em diversos projetos complexos, principalmente os de consultoria e orientação aos consumidores industriais, que falavam sobre redução dos custos quanto a utilização de energia. João era responsável pela implantação e finalização desses projetos, as tecnologias utilizadas no projeto deveriam ser de ponta assegurando a integridade, autenticidade e a caixa dos relatórios de consumo dos clientes. Por se tratar de um projeto estratégico e tecnológico absolutamente crítico/sensível para organização o senhor Bento dos Santos, gerente do departamento de Tecnologia, foi convidado para gerenciar esse projeto que na prática seria feito por João, justamente por dominar as principais tecnologias. João é aquele profissional sangue no olho, que está disponível 24 horas sete dias na semana, ele mantém a empresa sempre à frente de tudo. Inclusive das suas próprias prioridades pessoais, essa motivação é fruto do desejo cada vez maior de João de aumentar o seu poder e a sua representatividade dentro da empresa. Ele nunca desperdiça uma oportunidade.
A caminho para o encontro com a diretora João afirmava para si que aquele era o dia certo para o grande ataque do Rei da savana e ao entrar na sala da diretora João foi direto ao assunto.
Em conversa com a diretora Catarina, João diz que é do seu conhecimento toda sua performance dentro do departamento e enfatiza que ela, Catarina, sabe muito bem da sua competência e da sua importância para a empresa. João reclama que sua atuação tem sido muito onerosa, uma vez que ele precisa desempenhar a função e ainda realizar “todos os trabalhos de responsabilidade do seu chefe”, o senhor Bento. João após descrever toda a sua frustração e ainda apontar quanto do seu trabalho reflete nos resultados em geral, exige da diretora Catarina uma posição imediata sobre a sua promoção, o que resultaria na demissão do seu chefe Bento. João dá a diretora duas opções: ou você me dá o cargo de gerente ou eu me demito.
Para contextualizar melhor, vale a pena dizer que o senhor Bento é amigo de João há muitos anos. Bento tem 54 anos e não pode competir com João, principalmente em termos de conhecimento sobre tecnologia. João é extremamente necessário para empresa no momento atual. Porém, em seis meses, quando o projeto redução de custos estiver sido implantado o senhor Bento poderá dirigi-lo muito melhor do que João. É sabido que Bento tem um jeitinho todo especial para lidar com os grandes consumidores e com os demais colaboradores, coisa que João não tem por ser muito imediatista. Conseguimos compreender que o potencial de João é enorme e que em médio e longo prazo, ele será muito útil para empresa e seria um desastre perde-lo entretanto, ele é uma eterna fonte de problemas por conta de seu comportamento então precisaria mudar radicalmente.
O que você faria para resolver esse conflito se estivesse no lugar da diretora?
REFLEXÃO em 02/11/2021
Para solucionar o caso é simples: em reunião seria apenas ouvidos, anotaria as exigencias de João e encerraria a conversa de maneira respeitosa, tal como qualquer outra reunião. Falaria com o superior do João sobre tais atitudes e refletiria com ele se vale ou não a pena desenvolver um plano de carreira para o rapaz, pois é claro que João precisa melhorar em suas soft skills (habilidade pessoais) e é justamente por isso que não conseguirá liderar uma equipe tão bem quanto Bento. Contudo, é importante que toda essa conversa com Bento resulte em algo construtivo e benéfico (feedback bem formado) para João, pois é fato que João tomará decisões importantes a seguir.
Não haveria promoção para João, não nesse momento. Por dois motivos: João precisa melhorar suas softs skills e segundo, precisa multiplicar/passar para frente o conhecimento que hoje está todo concentrado nele. Essa centralização só engessa os processos travando João na posição em que está.
É compreensível que, por estar de “saco cheio”, pessoas acabem falando pelos cotovelos em momentos importantes o que pode “sujar a sua imagem”. Por isso é importante agir com calma e respeito, sem se prejudicar nesse processo. Exemplo: pode ser que João não caiba mais nessa empresa e talvez seja hora de bater as asas, ou pode ser que João perceba que para liderar precisa melhorar certos pontos e depois de trabalhar para isso ele consiga sua promoção.

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