Análise de Investimentos (Material Básico, Primeiros Passos)
Investir em um empreendimento de maneira assertiva não é uma tarefa fácil. Todo passo dado deve ser muito bem pensado e para obter sucesso nessa escolha é preciso, parafraseando Sun Tzu em “A arte da Guerra”, se conhecer, conhecer o adversário e conhecer o campo de batalha. Uma das grandes aliadas nessa guerra é a Análise de Investimentos, que é primordial para verificar a viabilidade-econômico-financeira da empresa ao longo da vida.
Como fora citado, precisamos conhecer o campo de batalha que aqui será tratado como “Estruturas de Mercado”. Existem várias estruturas podendo ser de concorrência perfeita, concorrência monopolística, oligopólio, oligopsônio, monopólio e monopsônio. Contudo, analisaremos uma empresa varejista no segmento de vestuário. Por ser varejista é uma empresa que vende diretamente ao comprador final, consumidor do produto, sem intermediários, mas não é ela quem produz o item que será vendido. Entende-se que é uma empresa que faz parte da concorrência perfeita. A concorrência perfeita é a estrutura na qual nenhum dos participantes têm poder de mercado o suficiente para definir/regular o preço de um produto, não há impeditivos para a entrada de novas empresas nesse âmbito e ainda tem elevada concorrência onde os produtos são homogêneos, ou seja, não há diferença entre eles. Ótimos exemplos são as empresas Lojas Renner S.A., C&A Modas S.A, Marisa Lojas S.A entre outras.
A partir da classificação da estrutura, seguiremos para elaboração e análise desse projeto. É importante fazer pesquisas qualitativas e quantitativas para entender os nossos parceiros, clientes, os investimentos, custos e despesas. Há uma ótima ferramenta para desenhar tudo isso e conseguir visualizar melhor esse montante de informações, a ferramenta chama-se Canvas. Canvas é um quadro que fará com que o empreendendor “se conheça melhor”, fazendo o rascunho e descrevendo a essência do negócio e todos os pontos vitais para o seu funcionamento. Vale a pena citar que o sebrae deixa essa ferramenta disponível para o empreendedor dar seus primeiros passos no site sebraecanvas.com. Em paralelo a essa ferramenta é extremamente importante entender como se dará o fluxo de caixa, é preciso elaborar um controle gerencial onde serão imputadas as entradas e saídas durante o exercício. Além do fluxo de caixa serão necessárias estratégias para direcionar, de maneira sábia, determinada quantia para cada atividade da empresa sem esquecer dos cronogramas para lidar com impostos, taxas, pró-labore, custos entre outros motivos que geram impactos financeiros.
Com pesquisas, informações financeiras e controles gerenciais (lê-se fluxo de caixa e cronogramas) conseguimos fazer um estudo de viabilidade econômica, é a partir desse estudo que implementaremos a organização e entraremos “de fato” em determinado segmento do mercado. Vale a pena enfatizar que o estudo de viabilidade é importante em todo o ciclo de vida da empresa, pois a empresa pode iniciar dando resultados positivos e numa determinada ocasião, pode não dar mais bons resultados sendo necessário rever as estratégias ou até mesmo parar com a gestão do negócio (vendendo ou encerrando as atividades).
Nesse estudo levaremos previsibilidade e um pouco mais de segurança aos empreendedores e interessados dizendo a eles, com cálculos, em quanto tempo o investidor recuperará o dinheiro investido (payback = Investimento Inicial / Ganhos no período), qual o valor mínimo a ganhar no caso de um investimento (taxa mínima de atratividade) e se o projeto é viável ou não através da taxa interna de retorno, que representa o retorno do capital através do Valor Presente Líquido. Sobre a taxa interna de retorno é importante ressaltar três condições: se a TIR for maior que o VPL, então o projeto é viável. Se a TIR for inferior ao VPL, então cancele o projeto. Se a TIR for igual ao VPL cabe aos envolvidos decidirem se seguirão.
Agora temos uma empresa no ramo de vestuário, atuando como varejista em uma estrutura de mercado em concorrência perfeita, um canvas completo indicando quem serão nossos parceiros, público alvo, localização, estrutura física, canais de comunicação e com todos os materiais e serviços que precisamos para funcionar. Temos um fluxo de caixa estabelecido, um cronograma com as datas e valores dos impostos, taxas, direitos e deveres listados que nos permite enxergar em quanto tempo teremos o dinheiro investido de volta, qual a possibilidade de ganho mínimo e com a taxa interna de retorno maior que o valor presente líquido indicando que conseguimos andar com o projeto, o que nos permite escorrer um pouco mais sobre a organização e a gestão de custos. A gestão estratégica de custos é muito importante, pois o cálculo errado pode inviabilizar o projeto. É nítido que qualquer empresa gera prejuízos, custos e despesas e portanto, é necessario classificá-los e acompanhá-los. Tanto as despesas (ligadas indiretamente ao produto final) quanto os custos (ligados diretamente ao produto final) podem ser classificados como fixos e variáveis. E é a partir dessa mensuração que conseguimos alcançar informações-chave como: formação dos custos, preços, quantidade de vendas, custo mínimo do produto entre outros. Ao atingir esse nível e qualidade de controle partimos para a organização e o seu resultado financeiro que serão expostos em controles contábeis e financeiros, como a Demonstração do Resultado do Exercício.
A DRE nos permite analisar as receitas, custos e resultados, informações essas que serão apuradas segundo o princípio contábil do regime de competência. O objetivo dessa ferramenta é demonstrar o resultado líquido de um exercício. Segundo o Sebrae a estrutura desse controle se dá pela seguinte foma:
Receita Bruta
(-) Deduções e abatimentos
(=) Receita Líquida (1)
(-) CMV (Custos de mercadorias vendidas)
(=) Lucro Bruto (2)
(-) Despesas com Vendas
(-) Despesas Administrativas
(-) Despesas Financeiras
(=) Resultado Antes IRPJ CSLL (3)
(-) Provisões IRPJ E CSLL
(=) Resultado Líquido (4)
Somando as informações que temos à DRE, conseguimos desenvolver alguns indicadores financeiros importantes para as tomadas de decisão como:
- faturamento (faturamento bruto = preço de venda x quantidade vendida)
- ticket médio (ticket médio = faturamento total / número de vendas do período)
- lucro bruto (lucro bruto = receita total – custos relacionados à produção),
- ponto de equilibrio (ponto de equilíbrio = custos e despesas fixas ÷ margem de contribuição)
- margem de lucro (sendo a margem bruta = lucro bruto / receita líquida x 100 e a margem líquida = lucro líquido / receita líquida x 100)
- liquidez corrente (liquidez corrente = ativo circulante / passivo circulante)
- LAJIDA que é lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (LAJIDA = lucro operacional + depreciação + amortização)
- lucratividade (lucratividade = lucro líquido / receita líquida x 100)
Com todos esses indicadores que nos mostram a saúde financeira da empresa já podemos confortar os empreendedores e interessados quanto ao retorno financeiro desse investimento e possibilitar as ações/medidas estratégicas com base em informações concretas sobre a situação do projeto, seus concorrentes e seu mercado.
Essa postagem é uma introdução, básica, ao assunto Análise de Investimentos tratado no curso de pós-graduação da Universidade Anhembi Morumbi em junho de 2021 e entregue ao Professor Me. Clovis Mendes como trabalho acadêmico para a primeira avaliação do terceiro bimestre.
Referências Bibliográficas
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